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FALARES DE MIRANDELA

falares_mirandelaJorge Lage (Chelas, Mirandela, 1948), um estudioso de que conhecemos trabalhos importantes sobre a castanha e sobre as maias, publicou recentemente uma recolha de linguagem popular mirandelense, Falares de Mirandela. Esta publicação vem aliás na sequência de outra obra de carácter similar, esta colectiva, em que Jorge Lage também participou ao lado de Jorge Golias, João Rocha e Hélder Rodrigues, intitulada Mirandelês. As duas publicações são editadas pelo Município de Mirandela, que assim demonstra estar atenta à urgência da salvaguarda da cultura popular.

Falares de Mirandela apresenta uma vasta recolha de termos e locuções usadas pelo povo e constitui um repositório que não pode ser ignorado por quem dedique atenção ao fenómeno da linguagem popular trasmontana ― um tesouro cultural em perigo de acelerada extinção.

 

 

 
LE ILLEGGIBILI PAGINE DELL’ACQUA
acquaFoi recentemente apresentada no Grémio Literário Vila-Realense, a antologia poética de A. M. Pires Cabral, Le illeggibili pagine dell’acqua, acabada de publicar em Itália em edição bilingue.
Trata-se de um conjunto de 30 poemas retirados de quase todos os livros de poesia do Autor, vertidos para italiano por Giorgio de Marchis, da Universidade Roma 3, que esteve presente na sessão de apresentação. O conhecido lusófilo assina igualmente uma breve introdução à antologia.

Do breve texto da badana, transcrevemos: «Poeta, drammaturgo, romanziere e traduttore, A. M. Pires Cabral è uno degli autori più sobri e interessanti del panorama letterario portoghese. La sua poesia […] evoca un mondo ormai sconfitto, cogliendo però nelle più umili cose e nel pudore agricolo l’ardua lezione di una disciplina rigorosa in grado di resistere al degrado del mondo.»

 
O PORTO DO MEU TEMPO
porto_tempoChegou-nos às mãos a 2.ª edição de O Porto do meu tempo, antologia de textos de João de Araújo Correia sobre aquela que ele de algum modo considerava a sua cidade. A edição é da responsabilidade da Fundação Eng.º António de Almeida, e a responsabilidade da edição cabe a João de Araújo Correia (Filho, também já falecido) e José Viale Moutinho. Este último assina igualmente uma sugestiva introdução, onde se inclui uma pequena entrevista com o escritor.

Os textos são retirados de diversas obras do grande mestre duriense e, na sua maioria, evocam figuras gradas da pedagogia, da ciência e da arte. Mas o Porto é sempre o cenário destes textos. Na verdade, João de Araújo Correia confidencia algures: «Não nasci no Porto. Mas, tenho-lhe tanto amor como se ali nascesse. Nada do que interesse ao Porto me desinteressa mim.» E também: «Ir ao Porto [...] é sempre uma festa para o duriense.»

Deste amor e desta festa fala eloquentemente O Porto do meu tempo.
 
«A SUPER-REALIDADE» EM SEGUNDA EDIÇÃO

super-realidade A super-realidade, segundo livro de poemas de Rui Pires Cabral, saído pela primeira vez em Vila Real, em 1995, acaba de aparecer em segunda edição, com a chancela da Língua Morta, uma nova editora de Lisboa.

Segundo advertência do Autor, para esta edição, alguns poemas foram emendados e outros pura e simplesmente eliminados.

Restaram vinte e seis poemas de pendor evocativo de lugares e momentos que fazem parte da memória do Autor, em que o registo dominante é o de um certo pessimismo e desencanto ante a falta de sentido da existência e a sensação de que não é possível recuperar o passado onde, apesar de tudo, houve instantes de felicidade e partilha: «[...] Um lago no alto da serra / há quinze anos atrás, os cães que já morreram / correndo para sempre no nosso olival. // Depois disso veio o frio tantas vezes / para trancar as cancelas. // Já colhemos as amoras todas / no verão desses caminhos.»

 

 

 
COBRA-D’ÁGUA

cobra_agua A. M. Pires Cabral volta à poesia com Cobra-d’água, volume acabado de sair na Cotovia.

O livro está dividido em dois blocos, “Sarabanda” e “Requiem”, em que respectivamente o poeta exprime as suas inquietações em torno de Deus e da morte.

Entretanto, sairá muito em breve em Itália, na conhecida editora Bibliopolis, a antologia Le illeggibili pagine dell’acqua, poemas escolhidos de A. M. Pires Cabral traduzidos para italiano por Giorgio de Marchis, que assina também uma nota introdutória à poesia do autor.

 
MODO FÁCIL DE COPIAR UMA CIDADE

copiar_cidade Vítor Nogueira acaba de publicar na &etc o seu sétimo livro de poesia: Modo fácil de copiar uma cidade.

Tal como é habitual no poeta, é um livro temático e estruturado. Desta vez, toma como pretexto três tratados portugueses de pintura, respectivamente de Filipe Nunes, Francisco de Holanda e Cirilo Wolkmar Machado, com cujos ensinamentos vai salpicando os poemas.

Deste pretexto, porém ― como também é habitual no poeta ―, Vítor Nogueira parte noutras direcções e questiona o lugar e o papel do homem. Fá-lo contudo ― e esse é um dos pontos mais interessantes da sua arte poética ― em termos simples, quase coloquiais, sem qualquer tique de ênfase discursiva ou declamatória: «De repente a chuva pára. Vê-se um fiozinho de luz / e a cidade a ir comer à sua mão.» Aquilo que alguns diriam o oposto da poesia, mas que na verdade é poesia, e, no caso, poesia de alta qualidade.

 
M. HERCÍLIA AGAREZ: ESTREIA NA FICÇÃO
contos_marao M. Hercília Agarez (Vila Real, 1944) acaba de publicar o seu terceiro livro. Depois de A brincar que o digas (2001, crónicas), Miguel Torga, a força das raízes (2007, ensaio), surge agora com o primeiro livro na área da ficção: Histórias que o povo tece. Contos do Marão (Lema d’Origem Editora).

São quinze contos, divididos em duas secções, a primeira das quais justifica o subtítulo de “Contos do Marão”, pois inclui dez histórias brotadas do húmus das serranias e tendo por protagonistas as gentes que nelas habitam. A segunda parte reúne cinco histórias, regra geral um pouco mais extensas e de temática mais urbana. As características principais desta colectânea são, para além de uma linguagem correcta e de um ‘dizer’ elegante, um discreto sentido de humor e o alcance social.

M. Hercília Agarez tinha organizado recentemente, com Isabel Alves, a antologia Aqui e agora assumir o nordeste (textos de A. M. Pires Cabral). Desenvolve notável acção cultural, dedicando-se em especial ao estudo de Camilo Castelo Branco, Miguel Torga, João de Araújo Correia e Luísa Dacosta.

 

 
NONO LIVRO DE DONZÍLIA MARTINS

divagacoes Donzília Martins (n. Murça, 1942), escritora e jornalista, publicou recentemente o seu nono título, Divagações à flor da alma e do mar. O livro parece assumir-se como uma homenagem à Povoa de Varzim e sobretudo ao seu mar, aos quais a Autora se encontra muito ligada afectivamente. «Uma espécie de crónica/diário em homenagem a este mar da Póvoa, a esta luz» – lê-se na apresentação.

Trata-se de um livro sui generis, escrito num registo predominantemente poético, onde parece haver uns farrapos de ficção (ou, talvez antes, apontamentos autobiográficos ou mesmo como que entradas de diário) de mistura com a observação e o pendor reflexivo próprios da crónica e também com a literatura intimista, confessional. É um conjunto de mais de seis dezenas de textos marcados pela afectividade, geralmente pouco extensos, mas de forma alguma secos.

Donzília Martins publica desde 1991, com obras no campo da poesia, do ensaio histórico, do conto autobiográfico e da literatura infantil e infanto-juvenil.

 
As Maias – Entre mitos e crenças, de Jorge Lage

maias Jorge Lage (n. 1948, Chelas, Mirandela) é um homem de actividade intelectual fervilhante, também ao nível da escrita. A sua mais recente obra intitula-se As Maias – Entre mitos e crenças. O subtítulo da obra diz tudo sobre o seu conteúdo: “Lendas, castanhas, receitas e provérbios de Maio”.

É pois uma espécie de apanhado geral, um trabalho exaustivo de investigação sobre um interessantíssimo aspecto da cultura popular, as Maias, ou o conjunto de ritos e tradições em torno do fenómeno do renascimento da natureza após o ciclo invernal.

De Jorge Lage tínhamos já saudado duas publicações dedicadas à castanha, esse grande e nobre produto dos nossos campos: A Castanha. Saberes e sabores e Castanea – Uma dádiva dos deuses. Neles reuniu uma vasta soma de conhecimentos, a nível botânico, etnográfico e gastronómico, sobre esse fruto nem sempre valorizado como merece.

 

 
MENSAGEM EM MIRANDÊS

mensaige Uma das obras mais conhecidas e apreciadas de Fernando Pessoa, Mensagem, acaba de ser publicada em versão mirandesa (Mensaige). O trabalho, magnífico, deve-se a Fracisco Niebro, heterónimo de Amadeu Ferreira, poeta, romancista, dramaturgo e, no que agora mais interessa considerar, grande paladino e impulsionador da nossa segunda língua, o mirandês, que já tinha enriquecido com outras traduções, também excelentes, de que destacamos Os Lusíadas (Ls Lusíadas).

Mensaige saiu na Editora Zéfiro e tem um esclarecedor prefácio do poeta Fernando de Castro Branco, também ele nascido em terras de Miranda. É desse prefácio que citamos um passo significativo da actividade de Amadeu Ferreira em prol do mirandês: «Se a luta pela sobrevivência do mirandês enquanto língua viva e autónoma tem sido uma tarefa árdua e incansável de uma grande diversidade de agentes, com Amadeu Ferreira sempre na linha da frente, já esta obstinação, num primeiro momento longínqua e utópica, de dotar o mirandês de uma literatura escrita, de uma dimensão literária, só a ele é devido o reconhecimento de tal autoria (...).»

 
TEMPO DE FOGO

amadeu_ferreira Figura ímpar e multifacetada da cultura trasmontana, Amadeu Ferreira (Sendim, Miranda do Douro, 1950) publicou recentemente na Âncora Editora o romance Tempo de fogo, de recriação histórica.

Conhecíamos já a subtil poesia deste Autor, assim como a sua actividade de tradutor para mirandês de obras fundamentais (Os Lusíadas de Luís de Camões, os Evangelhos e, a mais recente, a Mensagem de Fernando Pessoa, entre outras). Conhecíamos também a sua intervenção decisiva e o seu pioneirismo em prol do Mirandês. Agora vem a público com o primeiro romance, uma história estimulante que nos transporta aos anos 20 do séc. XVII, cujo «ambiente sufocante» (em pleno ‘reinado’ do todo poderoso Santo Ofício) é passado em revista «tomando como paradigma várias vilas e aldeias do planalto mirandês».

O romance é complementado com um curioso anexo (copiado e comentado pelo professor primário que o encontrou), em que um frade preso nas masmorras da Inquisição em Coimbra lança as bases de um futuro tratado sobre as virtudes terapêuticas da fala.

 
ALTINO MOREIRA CARDOSO: NOVO LIVRO SOBRE D. AFONSO HENRIQUES

altino_cardoso Decididamente, a figura do primeiro rei português continua a entusiasmar os nossos investigadores. À semelhança do que aconteceu com João Barroso da Fonte, que ao assunto dedicou já duas obras de vulto, também Altino Moreira Cardoso regressa ao tema, depois de ter publicado em 2010 Afonso Henriques nascido e educado no Douro. Saiu agora a lume outro grosso volume, a que o Autor deu o título de D. Afonso Henriques – Os mistérios e a lógica (Edições Amadora Sintra, 2011).

Altino Moreira Cardoso aceita parcialmente as teses de Almeida Fernandes (vigorosamente contestadas por Barroso da Fonte). Admite que Afonso tenha nascido em 1109, mas põe reservas a Viseu como lugar de nascimento, contrapondo Britiande, no solar de Egas Moniz.

 
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